ordinária e comum

estou lendo um livro já faz 6 meses. ou mais. já perdi as contas. sim, pasmem, mas essa é a verdade. esses dias, nesse livro, o autor descreveu um personagem da seguinte forma: “entrou na sala um homem de aparência ordinária e comum”. fiquei eu a imaginar o que seria uma aparência ordinária e comum.

tipo minha vida? quem sabe. 

já fui demitida umas 3 vezes. já pedi demissão umas 4. a empresa que estou a mais tempo é a minha, há 3 anos. e quase já me demiti. ou pedi demissão de mim mesma. liquidez? bauman? sei lá.

nunca ganhei um prêmio. nem pretendo. mas se ganhar ficarei feliz e irei comemorar com uma garrafa de vinho. ou várias. socialmente, claro. 

agora lembrei que já fui campeã de alguns campeonatos de futebol. isso conta como prêmio?

tenho alguns dons inúteis. um exemplo é decorar números facilmente. alguém tem ideia do pra que isso serve? outro é equilibrar o copo (de cerveja) na cabeça e dançar. e quando conto tudo isso (sim, eu conto) as pessoas geralmente começam a procurar algum significado. simplesmente não tem.

se alguém me perguntar qual foi minha maior conquista profissional eu vou responder que é conseguir trabalhar da praia. com certeza absoluta. mas quem sabe não seria isso que esse alguém gostaria de ouvir.

em 2020 e 2021 trabalhei pra kct. este ano as coisas não estão tão favoráveis. pra isso. pra outras estão. afinal, tá tudo certo na bahia.

neste momento minha casa está um caos. e às vezes me pego pensando que minha vida poderia muito bem ser um daqueles filmes americanos, comuns e ordinários? onde a história se resume em um ser humano (ordinário e comum?) fracassado que dá a volta por cima, consegue se dar bem no trabalho, na vida amorosa, na vida familiar e é “feliz pra sempre”. e aí logo depois eu me pergunto, quando é a hora que eu dou a volta por cima?

quem sabe eu já tenha dado. quem sabe ainda faltem algumas. 

estou ouvindo Paulo Diniz enquanto escrevo este texto. fui pesquisar de onde ele era e descobri que o cantor faleceu faz um mês. pernambucano, aliás. estou viciada na música “I wanna to go back to Bahia”. 

há quem diga que não sou muito ambiciosa. e não sou mesmo. há quem ache isso estranho. será que todo mundo precisa ser ambicioso?

bom, no final das contas, no final do dia, o melhor de tudo isso é que, na maioria das vezes, consigo rir da minha vida. com a minha vida. às vezes ordinária e comum. às vezes maravilhosamente linda e EXTRAordinária. 

entre tantas capas, máscaras, filtros, CEO´s, founders, foguetes que não dão ré, gurus, desenhos de iceberg e outros títulos e loucuras em que vivemos, que insistimos em nos colocar, quem sabe para escondermos nossa ordinariedade, quem sabe como uma forma de não aceitação para o quão comum é a nossa vida, ou para fingirmos ambiciosidade (porque né, quem não é ambicioso não vai pra frente), o melhor mesmo é quando conseguimos nos reconhecer para nós mesmos. quando conseguimos deitar à noite e, simplesmente, dormir. porque já não precisamos provar mais nada pra ninguém. temos tudo o que precisamos quando fechamos os olhos. 

ordinário e comum nunca foram características vistas com bons olhos. mas dá um alívio quando aceitamos que isso também faz parte da vida. impermanente, imperfeita, incompleta (e imperdível).

mas espero que eu consiga completar meu livro antes de 2023.

tornando-me mulher

eu gosto de assistir séries de suspense e terror. mas a última que eu assisti me arrepiou a alma. me apavorou. me fez chorar. de desespero. de raiva. de desconforto. de semelhança.

chama-se “o conto da aia”, ou: the handmaid’s tale. uma série em que, em um certo local dos EUA, as mulheres acabam perdendo todos os direitos, inclusive o de dirigir, e ficam prisioneiras de um sistema patriarcal, no qual ninguém é feliz. coincidência é mera realidade.

eu tive a sorte de ter uma mãe que lutou pela minha liberdade. me ensinou desde muito cedo a ser independente. lembro que um dia eu ousei reclamar disso pra ela: “mãe, você me largou muito no mundo, tive que aprender tudo sozinha” – ou, ao menos, era isso que eu pensava. minha mãe respondeu dizendo que foi pra isso que ela teve uma filha, oras (kkk). 

“eu sempre quis ter uma menina pra que ela fosse independente. que tivesse liberdade e soubesse se defender. diferente de mim, que sempre fui um “bicho do mato”. (sim, pra quem conheceu minha mãe, nunca diria que ela era um bicho do mato).

considero essa, uma das belas curas que tive com minha mãe ainda viva. digo ainda viva, porque mesmo depois que ela deixou a gente aqui na terra, eu lembro dos ensinamentos que ela quis me passar e eu não entendia.

minha mãe me fez ter carteira de motorista. mesmo eu não querendo ter carro, ela me disse: vai fazer sim, porque um dia você vai precisar. você precisa dessa autonomia também.

eu nunca gostei muito de dirigir. e sempre achei uma loucura pegar o carro e dirigir por estradas totalmente desconhecidas, sem muita (nenhuma) experiência, como é o meu caso. mas eis que decidi fazer bom (há quem duvide do termo “bom” aqui) uso da minha carteira de motorista. usei o privilégio dessa autonomia para fazer aquilo que meu coração queria. não foi o caminho mais fácil. foi um dos mais desafiadores. uma mudança de rumo que nem eu contava. tudo porque eu estava atenta para a vida. e, devo dizer, que essa atenção se deu por alguns motivos:

  1. me dei tempo pra parar e pensar no que eu realmente queria. lá no fundo. mesmo que fosse difícil. (tirei férias e saí do meu automático, pra ser mais específica – mas há outras formas)
  2. lembrei da minha mãe, da minha ancestralidade e da nossa eterna luta por liberdade e respeito
  3. assistindo a série, entre outros pesadelos que vieram a tona, pensei que “deus me dibre” não poder dirigir. credo. vam simbora.

aluguei um carro, joguei minhas coisas dentro e me vim pra bahêa. por estradas completamente desconhecidas, sem muita (nenhuma) experiência. obriguei minha gata a vir comigo também. (ela passa bem e feliz).

quero, um dia, que TODAS as mulheres possam ser tão livres e independentes quanto minha mãe gostaria que eu fosse. e como me senti vindo pra cá. e que The Handmaid’s Tale seja só uma história de terror que fica cada vez mais no passado.

já faz alguns meses (vidas) que meu coração é baiano. 

recomendo.

uma carta de amor à pessoa que eu mais deveria amar

volta e meia eu entro numas crises de identidade (fora as de ansiedade). não sei mais quem sou. o que quero. pra onde quero. como. por que. pra que. o que. (…). tudo bem, seria estranho se eu não tivesse esses momentos, né? ainda mais nos dias de hoje.

às vezes fico tentando me descrever. quando me perguntam: quem é você, lina? se apresente. normalmente caio numa grande arapuca armada por mim mesma. na grande maioria das vezes eu começo me descrevendo como uma ninguém. como se eu não tivesse conquistado nada na vida. como se eu fosse, até mesmo, uma pessoa ruim. péssima. ontem mesmo, quando ficou escuro, nas horas mais cruciais do dia pra mim, comecei com essa pergunta de novo. 

quando muito só (o que não é raro), durmo pensando em tudo de ruim que eu já fiz. pra mim. para os outros. para o mundo. e o peso é quase sempre maior do que as coisas boas. fico presa no passado. vem a culpa. a vergonha. a insegurança. o medo. acordo e parece que as perguntas de ontem não foram respondidas (como se precisassem ser respondidas). e o ciclo recomeça. não ligo a música. não danço. não medito. como qualquer coisa. bebo. passo dos meus limites. ligo netflix. trabalho sem vontade. é aquela mini depressão chegando. e o pior é que eu sei o antídoto. e não quero “tomar”. porque acho que não mereço. vem algo pior: a autoflagelação. eu sei que me faz mal. mas faço igual. até chegar no físico. por que eu não posso ser feliz o tempo todo, né? não sou merecedora. não sou boa o suficiente.

sou sim.

eu sou corajosa (ou louca, se preferir). sigo meus sonhos. saí do rio grande do sul pra morar no nordeste. pulei de bungee jump. escalei o pico do paraná. e no outro dia corri 10km. escrevo poemas. textos. e alguns deles são ótimos. experimento, mas se não gosto, não continuo. saio. vazo. sem ressentimentos. termino. recomeço. se precisar eu brigo. incendeio. deixo meu coração me guiar. enfrento. defendo. resolvi ser autônoma. nômade. e acho que a gente pode fazer de tudo nessa vida. já conheci quase todos os estados brasileiros. e muitos outros países. tenho histórias pra contar até o pacote de sal acabar.

eu sou evoluida. sou feminista. ajudo mulheres e elas me ajudam. pra mim não tem problema nenhum mostrar os peitos. não vejo a hora de poder mostrar os meus como os homens fazem quando não usam camisa. não tem problema nenhum homens se beijarem na rua. ou qualquer pessoa se beijar na rua. isso não me fere. e nem deveria ferir ninguém. e se você não gosta, saiba que não é uma questão de opinião e sim, de preconceito mesmo. reconheço meus privilégios. enxergo o preconceito. em mim e no  mundo. já fiz muita terapia e vou fazer muito mais. tenho canudo retornável. procuro reduzir meu lixo. não comer tanta carne. junto o lixo dos outros da praia ou de qualquer outro lugar que eu passe. e nem reclamo mais. procuro ficar em casa na maior parte do tempo. respeito. escuto. mudo se precisar. sou flexível, adaptável. 

eu sou bruxinha. acredito que meu corpo é forte. resistente. sábio. amo chás e óleos essenciais. e acredito que eles podem curar muita coisa. tenho fé. entrego. confio. aceito. agradeço. agradeço. agradeço. planto a minha lua. gosto dos cristais. sou aberta a todo tipo de religião e acho que todas elas são uma forma de nos conhecermos melhor. sou aberta. meu coração é aberto. até demais. amo rita lee. acredito nos sinais que minha mãe me manda pra dizer que está pertinho de mim. e principalmente, sei enxergá-los. acredito na medicina ayurvédica. na ginecologia natural. acredito que a yoga seja a cura da humanidade. e adotei uma gatinha.

eu sou sensível. eu amadureço e dou amor a todos os relacionamentos que considero bons. tento não julgar. tento não culpar. amo a vida. amo tanto que consigo viver ela. procuro evoluir. gosto de flores. amo a natureza. piso na grama. sei observar. minha maior felicidade quem sabe seja ver o pôr do sol. a lua nascer no mar. gosto do romantismo. de sol. calor. de carinho. e amor. em mensagens. em palavras. em gestos. gosto de quem cozinha pra mim. gosto de escrever cartas. de receber cartas. resolvi acreditar que existe mais bem do que mal. e há quem chame isso de inocência. sou engraçada. brinco o tempo todo. gosto de todos os bichinhos. trato todo mundo bem. faço amizades facilmente. dou bom dia. boa tarde. boa noite. 

eu sou legal, criativa, bagunceira, divertida, inteligente, linda, carismática, responsável, comprometida, distraída, pensativa, intensa. EU SOU TÃO BOA E TÃO SUFICIENTE que não vai caber aqui tanta coisa boa.

ah, sou humilde também.

gratidão, Lina, por conseguir ser você a maior parte do tempo. e lembre-se de se amar, comer bem e beber menos, por favor.

a vida é bela

Você já experimentou contar carneirinhos quando não consegue dormir? É uma boa experiência, sabe. Não sei se você vai, de fato, conseguir dormir. A primeira vez que tentei não consegui. Acho que eu tava muito entusiasmada em imaginar os carneirinhos. 

Pra mim, eles pulavam um pequeno cavalete. Colorido. Tinha sol. Quem sabe por isso que eu não consegui dormir dessa vez, quem sabe eu teria que ter imaginado a noite. A lua. As estrelas. Mas não sei, aquela vez, na minha imaginação, tinha sol. E um arco-íris.

Carneirinhos e ovelhinhas. Tão fofos né? Era uma noite quente. A gente ainda morava em Londrina. Lembro bem do meu quarto, que era o quarto do meu irmão também. Tinha uma porta de madeira. Mas não essa madeira escura. Era uma madeira bem clarinha. Quem sabe até tenha sido meu pai quem fez. 

Colado na porta tinha um adesivo que, se não me engano, ganhei na feira, onde meu pai trabalhava, escrito: a vida é bela, a gente é que empeteca ela. E tinha uma peteca desenhada do lado. Claro, que sentido teria essa frase sem essa peteca desenhada? 

Que frase ótima pra levar pra vida. Não empetequem suas vidas, gente. 

Uma boa parte da nossa infância eu e meu irmão passamos dormindo em beliche. Eu dormia na cama de cima. E, um belo dia, caí. Sorte que a minha mãe, sempre precavida (ou vidente), deixava um colchão embaixo. 

Caí e não consegui respirar por alguns segundos. Até que eu consegui gritar. E minha mãe veio correndo pro quarto. Assustada. Abriu a janela, antes de qualquer coisa. E disse: levanta os braços. Eu levantei e a respiração fluiu de novo. Junto com o choro. Eu nem sabia direito o que tinha acontecido ainda. Mas depois disso, nunca mais consegui dormir em beliche.

Não foi nessa noite que eu contei carneirinhos. Foi em outra noite qualquer. E a ideia foi da minha mãe, claro. Sem saber, ou sabendo, já estava me ensinando princípios de meditação. Eu contei que não estava conseguindo dormir. E minha mãe me disse pra contar carneirinhos, pois o sono viria assim.

Fechei os olhos e comecei a contagem. Contei. Contei. Contei. E chegou uma hora que perdi as contas. Aí pensei: e agora? Levantei, fui até o quarto da minha mãe e disse: mãe, perdi as contas. O que eu faço agora?

Rindo, minha mãe me disse pra voltar a contar. E se eu perdesse as contas, pra voltar do zero. Até eu pegar no sono. Depois não lembro, devo ter pegado no sono mesmo.

Bom, pensando bem, tudo isso poderia ser uma metáfora* da vida. Se você perder (as contas, a paciência, os caminhos, as estribeiras), recomeça a contagem. Se você cair, levanta os braços pra respirar. Deixa o choro fluir. Recupera a respiração. Começa tudo de novo. Quantas vezes forem necessárias. 

Todo recomeço é uma nova oportunidade de enxergar. Que a vida é bela. A gente é que empeteca ela.

*Eu nunca sei se usei a figura de linguagem correta.

Abra Cadabra

Ultimamente tenho aprendido tanto sobre ser mulher. Quer dizer, ainda me considero uma pirralha com hábitos de velha. Tomo chá todo dia à noite, durmo cedo, acordo cedo e às vezes sou meio rabugenta. Mas gosto de assistir desenho. E de brincar. E muitas vezes, passo do meu limite.

Nada disso me faz ser menos mulher, claro. Só que agora estou aprendendo a me enxergar mais como tal. Quem sabe seja essa tão falada cura do feminino. Digo, da nossa energia feminina. 

Pra quem não está familiarizada ou familiarizado com isso, vou passar resumidamente aqui: cada um de nós, tanto homens, quanto mulheres, têm a energia feminina e a energia masculina. As duas são importantes e precisam ser equilibradas (e honradas) dentro de nós. Acontece que essas energias ficaram desequilibradas dentro da gente (gente = todos os seres humanos) ao longo do tempo, grande parte devido às nossas raízes patriarcais. Acreditem ou não, essa é a história. O Yin e Yang.

De qualquer forma, não sou expert no assunto. Só sou uma mera aprendiz da vida. E eu não tive consciência de quando isso começou a acontecer. Esse começo de cura ou essa busca, enfim, pelo meu feminino. Quem sabe quando eu voltei a morar com meu pai e com meu irmão. Com dois homens. 

Eu já falei por aqui um pouco sobre a minha infância. Cresci no modo defesa ON. E permaneci com ele ligado por muitos anos. No caso, ainda liga de vez em quando, mas agora acho que já não é mais tão permanente.

Também sempre gostei mais de “coisas de menino”. Jogava futebol. Truco. Vivia embarrada. Suja de terra vermelha. Vivia aprontando. Fazendo arte. Era fanática do Corinthians. Brigava na escola se fosse preciso.

Quando fiquei adolescente algumas coisas foram mudando. Meu corpo, principalmente. E os meninos já não queriam mais jogar bola comigo. Comecei a ficar confusa. 

Me diziam que eu deveria ser “mais mocinha”. Parar de jogar futebol (pausa pro choro aqui). Precisava ser mais delicada. Aprender a cozinhar. Lavar a roupa. Cuidar da casa. Não que eu já não soubesse fazer isso, pois fazia com 6 ou 7 anos de idade, assim como muitas e muitas mulheres da mesma faixa etária ou mais velhas que eu.

Bom, com todas essas imposições na minha vida, um dia peguei uma revista e comecei a ler um artigo sobre “como conquistar um homem” ou algo assim. E lá dizia que as mulheres foram feitas pra cuidar, pra serem delicadas. Que homem gostava de meninas sensíveis. Que homem não gostava quando o cílio ficava grudado de rímel (pasmem). Que tinha que ser natural. Que homem gostava de batom de cor tal. Ai, gente. Vou parar aqui, porque né, por favor. Vamos nos poupar.

Menstruei. E minha tpm era enlouquecedora. Pra todo mundo. Minha menstruação era um rio de sangue. Manchava tudo. Comecei a odiar ter que ficar menstruada. Era chato. Nojento. Eu não conseguia fazer nada direito. Principalmente, eu não conseguia jogar futebol direito. A paixão da minha vida, naquele tempo. Comecei a odiar ser mulher. Cheguei a falar por várias e várias vezes que eu queria ser homem na próxima vida. Era tudo TÃO mais fácil pra eles.

E, como naquela época (pareço muito velha mesmo) ninguém explicava muita coisa sobre nada, muito menos sobre sexualidade (SEXUALIDADEEEEEE, falei e agora?) ou menstruação, eu comecei a me sentir muito mais confusa. Eu não aceitava aquilo como parte de mim. Eu não queria ficar menstruada. 

Comecei a tomar anticoncepcional. E fiquei tomando por mais de 10 anos. Não ininterruptos. Eu ainda menstruei durante esses anos. Mas bem menos. Com bem menos tpm. Bem menos sanguinho. E, digamos, de forma controlada. Toma a cartelinha ali, quando acabar menstrua 7 dias, volta a tomar, etc. Esse era meu ciclo. Nada mudava.

Até eu começar a me questionar de verdade, por que eu fazia isso mesmo? 

Ah, claro, eu não queria menstruar tanto. E tinha medo de engravidar também. Na época eu namorava, mas mesmo que eu não namorasse, mesmo existindo a camisinha, se alguma coisa “desse errado”, a responsabilidade era só minha, né? 

Não. Mas naquela época pensava-se que sim. A responsabilidade era SÓ da mulher. Até hoje quem sabe, algumas pessoas pensam assim. E aí, esse é um exemplo das nossas raízes patriarcais (já teve um ali em cima, mas resolvi frisar esse aqui, porque o exemplo é mais prático), pra quem ainda tá pensando: será que isso existe mesmo? 

Parei de tomar anticoncepcional. Já faz uns 4 ou 5 anos. E, de lá pra cá, MUITA coisa mudou. De novo. Minha pele, meu cabelo, meu corpo, minha tpm, meu sangue, meu ciclo, minha energia, minha criatividade. Minha vida. 

Nem tudo foi pra melhor, logo no início. Minha pele ficou mais oleosa. Meu cabelo também. Minha tpm voltou a ser doida. E agora vem bastante sanguinho de novo. Comecei a me perguntar se eu tinha feito certo em parar. 

Aí voltei pra carazinho. Vivendo com dois homens, depois de tanto tempo morando com amigas ou sozinha. Pensei, automaticamente, inconscientemente, que eu precisava ser como eles. Precisava me encaixar nesse mundo de novo. Eu não sei o que isso quer dizer exatamente. Mas coloquei minha capa de proteção. Meu modo defesa/poder/comando ficou a todo vapor.

Por mais que meu pai seja carinhoso, ainda assim, as coisas ficaram masculinas demais. Ou melhor, desequilibradas demais. E, percebi depois, que quando eu queria um abraço, eu xingava. Quando eu queria pedir, eu mandava. Quando eu queria conversar, eu gritava. Quando a raiva chegava, eu mergulhava nela. 

Sorte a minha que tive gente do meu lado que entendeu. E me guiou, mesmo sem perceber. Que me disse: ei, lina, tá tudo bem. Olha isso aqui. Olha que legal. Uma delas, a minha cunha. Que me ensinou a plantar a lua (no final do texto eu explico como). E esse pequenino gesto, mudou toda a minha forma de pensar. Mudou todo o meu olhar sobre mim. As coisas que eu não estava conseguindo entender, vieram à tona. As energias, quem sabe, foram se colocando em harmonia dentro de mim.

(Re) descobri como é mágico ser mulher. É mágico quando a gente consegue observar tudo isso. Quando a gente consegue perceber nosso corpo e nossa mente mudando ao longo do nosso ciclo menstrual. E vai aprendendo, aos pouquinhos, a usar tudo isso a nosso favor. Graças ao meu bom Deus (e outras mulheres que me incentivaram sem saber) eu parei de tomar hormônio. Comecei a parar de tentar me encaixar nesse mundo patriarcal.

Agora, na minha tpm, aprendo a me resguardar. A ficar mais quietinha mesmo. Geralmente não tomo nenhuma decisão. Já saio avisando meu irmão e meu pai. Porque né, eles sofrem junto comigo. Não consigo pensar muito. Fico confusa. Não sei que roupa colocar. Fico mais lenta com tudo. Então, se eu precisar (e puder), eu durmo mais mesmo. Agora, mesmo que seja difícil, se eu quero, eu peço um abraço sim. Eu choro. Simplesmente deixo as lágrimas irem. Me permito ser cuidada. Meu corpo, minha mente e meu coração pedem. Não nego. E tá tudo bem. 

No meu período fértil eu fico extremamente criativa. Com a energia a mil. Quase nem durmo. São os dias que eu mais escrevo poemas. Volto a ser criança. Me permito ser. Meus sentimentos afloram. Quero cuidar. Quero escrever. Quero conhecer. Quero conversar. Quero viver. Então, trabalho mais. Dou mais ideias. Sei que vou dormir menos. Que terei pelo menos um dia de insônia (normalmente). E já coloco um caderninho do meu lado à noite, porque eu sei que as ideias vão brotar. Me sinto dona de mim mesma. Feiticeira. Bruxa. Quase dona do mundo.

Quando a menstruação vem eu fico tão feliz! Meu sangue agora é magia. Eu planto a minha lua. Quanto mais sanguinho, melhor. É sinal de vida. É sinal de limpeza. De feminilidade. Eu faço pedidos verdadeiros. Corajosos. Eu sinto o cheiro da terra de forma muito mais intensa. Converso com plantas. Eu sou, literalmente, natureza. 

E quando ela vai embora começa outro ciclo. Começa a brotar outra lina. Outra lua. Outras magias. Outros desejos.

Nosso ciclo de aprendizagem torna-se infinito. A gente começa a respeitar nosso corpo. Nosso coração. Como é bom estar aqui para aprender cada vez mais sobre essa beleza que é ser mulher. 

Além do que, minha gente, foi uma mulher que inventou a cerveja.

COMO PLANTAR A LUA: nosso ciclo é regido pelas fases da lua. O primeiro dia do nosso ciclo, ou seja, quando vem o sangue, é chamado lua nova (mesmo que não seja lua nova no céu). Nasce a sua lua nova. E para que você possa plantar sua lua, você precisa usar ou um coletor menstrual ou uma calcinha absorvente, aquela que você usa, lava e usa novamente ou um bioabservente (reutilizável também). Se for calcinha ou bioabsorvente, você usa e depois deixa de molho (só com água), aí você usa a água e o sangue para plantar sua lua. Derrama isso na terra, nas plantinhas. E faz teu pedido, faz teu agradecimento, faz disso, um ritual. É lindo, você vai ver.

Observação 1: homem, se você leu esse texto até o final, gratidão por se interessar. Gostaria de frisar que quando falo em “patriarcado” falo sobre o modo como aprendemos a viver. Todos e todas nós, até então. Nada disso é culpa de alguém especificamente, mas me deixa feliz saber que podemos mudar e equilibrar tudo isso, juntos e juntas!

fragilidade (tóxica)

eu falei
você me calou

eu ri
você debochou

eu conquistei
você desfez

eu chorei
você nada fez

eu me libertei
você não gostou

eu tive dúvidas
você ignorou

eu voltei
você me prendeu

eu fui atrás
você desapareceu

eu quis gritar
você me internou

eu esperei
você aproveitou

eu amei
você pouco sei

eu me sinto nada
e você ainda acha 

que é tudo.

amor líquido

(número 3.502)

conheci alguém
parece tão próximo
ardente
inteligente

um alguém que tem
algo diferente

se importa
pergunta
é envolvente

conversamos sobre tudo
mas quando o silêncio vem
também faz bem

disse que gosta de mim
me liga
quando não estou contente

passamos horas conversando
e até casamento
já combinamos

o nome dos filhos
escolhemos
confiança
estabelecemos

comecei a mostrar mais
meus trabalhos e a vida
tudo o que conquistei
meus sonhos compartilhei

de repente
de repente

eu juro

essa paixão que era fogo
em dois dias virou jogo

fiquei sem entender
ligar, tentei
fui analisar no que errei

será que fui muito
será que fui menos
será que fui nada

que sinal eu perdi
foi alguma coisa que eu falei
ou foi algo que não ouvi

achava tudo tão transparente
mas quem sabe era só eu
muito carente

acho que entendi tudo errado
e quem sabe só fui uma novidade

bola frente
tem outro logo ali
esperando pra ser
o alguém diferente 

(número 3.503)

Espelho, Espelho meu

Vim aqui falar
Que do meu corpo
Cuido eu

Vim aqui
Só pra constar
Que beleza mesmo
É diversificar

Espelho, Espelho meu
Eu só quero te mostrar
Que a vida é muito mais
Do que se preocupar

Quantos quilos 
Eu quero deixar
Ou quantos músculos
Eu quero ganhar

Espelho, Espelho meu
É claro que existe alguém
Tão bela quanto eu

Você não acha estranho
Essa certeza
De que só há uma beleza

Quem inventou
Que meu corpo precisa ser
Aquilo que você quer dizer

Espelho, Espelho meu
Somos tantas

Não seja cego
Não seja tolo

De achar que somos
Apenas um belo rosto

De achar que um único corpo
Precisa ser modelo do todo

Espelho, espelho meu
Você tem conceitos
Tão antigos
Quanto aquilo que inventaram do meu Deus

Então, espelho meu
Porque você insiste em mostrar
Aquilo que é só seu

Espelho, espelho meu
Somos muito mais
Do que você reflete
Do que te ensinaram a pensar

É por isso Espelho
Que você não consegue enxergar
Você não consegue deixar

Mas eu te digo Espelho
Do meu corpo
Eu sei lidar

Espelho
Você não consegue entender
As profundezas do nosso ser

Se você conseguisse ver
Com certeza você estaria adorando
Estaria junto da gente
Cantando

Somos feitas de água
Espelho

E se a gente quiser
Inundamos tudo isso
Que você diz

Que a gente tanto 
Deveria

Somos feitas de sangue
E se a gente quiser 
Fazemos sim 
Bruxaria

Calma, Espelho, Espelho meu
Não tenha medo
Eu não quero te colocar
Numa caldeira

Muito menos, numa fogueira

Somos mais, Espelho, Espelho meu
Somos muito mais
Do que essa imagem projetada
Do que essa sua ira enraizada

Espelho, Espelho meu
Estou tão feliz em te contar
Que não é mais você que me diz
Não é mais você que me guia

Agora sim
Espelho, Espelho meu

Sou eu.

Digam ao povo que fico

A história toda aconteceu no início da pandemia. Resolvi entregar meu apartamento que eu alugava em Curitiba. Depois de 15 anos morando por aí, resolvi voltar pra Carazinho, morar com meu pai e com meu irmão. 

Sempre (na maioria das vezes) considerei nosso relacionamento, tanto meu com meu pai, quanto meu com meu irmão, muito bons. Acima da média. Mesmo. Até eu descobrir que era porque eu morava longe (hahaha, brinks, ainda considero muito bons sim).

Depois de alguns meses de convivência, com as mudanças todas acontecendo ao mesmo tempo, a rotina da casa foi ficando um pouco estressante, digamos assim. Pra todo mundo. E quem sabe algumas palavras e sentimentos foram acumulando na garganta.

Até que um dia, um dia antes de eu ir buscar minhas coisas em Curitiba, eu tive uma briga muito feia com meu pai. Feia mesmo, daquelas de não conseguir respirar de tanto choro. A gente sempre esquece de respirar né? Que coisa. Quem sabe com umas 2 ou 3 respirações o troço todo não tinha nem acontecido. 

Enfim, fato é que a briga foi feia. Teve dedo na cara. Teve voz alterada. Teve tudo que tem uma discussão. Pra quem não percebeu, parafraseei Henrique e Juliano (brega, sim, nunca neguei). 

Bom, ninguém tá certo em uma discussão né? Nem errado. E se um não quer, dois não brigam. Etc. Mas digamos que eu, no ápice da minha raiva, tristeza e agonia, tive vontade mesmo de não voltar nunca mais pra casa do meu pai (nunca mais fala comigo hoje). Nem de falar com ele. Nem de manter contato. Eu senti um caminhão de merda sendo despejado sobre mim. De uma vez só. E quem sabe muitas filhas, filhos, pais e mães aqui já tenham sentido o mesmo.

Eu poderia muito bem ter feito isso. Sair correndo e nunca mais voltar. Nunca mais tocar no assunto. Nunca mais falar com meu pai. Eu poderia ter feito daquela discussão terrível e horrenda o fim do relacionamento, tão bom, com meu pai. Fechar as portas do meu coração, guardar aquele rancor pro resto da vida e, quando chegasse o momento da morte, depois de anos de vida, querer voltar no tempo e ter feito diferente.

Acontece que alguns dias antes dessa briga, por sorte, destino, ou acaso da vida, um sábio primo meu, no dia do meu aniversário, me disse algo assim: não fuja das discussões. Fique. Enfrente. E saiba ouvir e argumentar. Se tu sair (modo gaúches) tu vai se mostrar fraca. Tu vai dar espaço pra eles acharem que tu tá errada. Não se foge das discussões

Não lembro muito bem se foi exatamente isso, porque afinal, era meu aniversário, fim do dia, e eu gosto muito de cerveja. 

O mais engraçado foi que ele me falou isso porque eu saí do grupo de whatsapp da minha família. Por questões políticas, claro. QUEM NUNCA? 

Nesse grupo tem mais de 40 familiares. E todos eles eu conheço de pertinho. Meus primos e primas são como minhas irmãs e irmãos. Porém, como vou esperar que todos e todas concordem com uma única opinião? É loucura. Por mais que a essas alturas do campeonato, defender o governo atual também seja (desculpa, não podia deixar. Paz).

Pensando bem, é assim na maioria das discussões né? Resumidamente: “eu acho isso de você. E eu acho isso de você. Então foda-se.” Cada um vai pra um lado. E esquecemos que todo julgamento é uma confissão (essa frase não é minha, é da Rafa Brites, mas acredito que seja uma verdade, daquelas difíceis de encarar).

Guardamos as mágoas, no armário do rancor. Não conversamos mais. Ficamos no nosso mundinho, muitas vezes repassando aquela briga na nossa cabeça. Por vários dias, meses, anos. Até que aparece uma oportunidade e você acaba voltando nisso. De novo. E de novo. E de novo. Criando assim, um círculo de brigas infinitas. Sobre a mesma coisa. Seja lá qual for essa coisa. Quantas vezes você já não esqueceu do porquê começou uma briga?

Acho que já passou do tempo de aprendermos a discutir e dialogar. Precisamos ter mais abertura e espaço para assuntos polêmicos. Assuntos do coração. Assuntos tabus. Qualquer assunto. E principalmente, precisamos aprender a ouvir, escutar ativamente. Escutar com atenção o que o outro está querendo comunicar a você. Tarefa difícil, sim. Mas muito necessária. 

Funciona mais ou menos assim: primeiro você tem que ficar atento né, sem distrações, sem celular, amiguinho. Aí você espera o outro expressar a opinião dele. Sem fazer nenhum pré julgamento, sem pensar na resposta. Só escuta. Escuta até o final. Depois, você pensa um tempinho. Interpreta. E dá a sua opinião. Ou não. Às vezes o silêncio é a melhor resposta né? 

De qualquer forma, no final desse texto vou deixar link para um artigo* que fala melhor sobre esse assunto, já que não sou expert nisso e ainda tenho muito o que aprender.

Quem sabe esteja aí, mais umas das coisas que precisamos normalizar: a discussão e o confronto (não violento, claro). Quem sabe assim (e respirando, sempre lembrar de respirar) a gente possa evitar brigas feias e dizer coisas sem pensar, pra pessoas que a gente ama. Ou pra qualquer pessoa.

Voltei de Curitiba de mala e cuia (lembram que eu fui buscar minhas coisas?). Ainda triste com meu pai. Sem olhar muito pra ele. E claro, sofrendo demais por isso. Até que tomei coragem e, mesmo chorando e com muita vergonha, fui conversar. Essa primeira conversa foi um tanto superficial, digamos assim. Tanto eu quanto meu pai estávamos meio desesperados para fazermos as pazes. Então foi mais ou menos um mantra: “me desculpe, eu te amo, nunca mais vamos brigar”.

Lógico que vamos, pai. Não me conhece? Logo eu, a rainha da treta.

Na segunda briga, que não foi tão feia quanto a primeira, a conversa já fluiu melhor. Já conseguimos colocar alguns pontos importantes. Já conseguimos nos expressar melhor e ouvirmos o que cada um tem a dizer. Foi a conversa perfeita? Não foi. Existe conversa perfeita? Não sei. Muito provavelmente não. Existem seres humanos tentando fazer o melhor que eles conseguem. E, às vezes, dá errado.

Discussões, opiniões diferentes, brigas, sempre vão acontecer. A mágica está em sabermos lidar com isso tudo (inteligência emocional que fala?). Respirar. Ouvir. E no final, lembrar que, melhor do que estar certo, é aprender.

Hoje em dia, no grupo da nossa família, acredito que estamos aprendendo a discutir, dialogar. A gente expõe as nossas opiniões diferentes, as nossas loucuras diferentes, às vezes dá “umas treta” e, no final, a gente lembra que nada disso muda o nosso amor.

Quem sabe uma das maiores lições pra mim, nesses últimos meses pandêmicos, foi essa: fique. Enfrente as batalhas que a vida te dá, da melhor forma que você conseguir. 

No final, tudo se resolve. Só não espere o final, final né. Faça isso em vida.


*Artigo sobre escuta ativa.

filosofia de instagram

[texto original do instagram que quis “eternizar” aqui]

a foto tem um pequeno filtro. pequenino mesmo. da minha câmera do celular que já vem com filtro pra selfie (?). queria falar que não tem. queria ter a coragem, a alegria, a espontaneidade de postar um foto do meu rosto sem nada de filtro. e meus amigxs e família  (principalmente, como vocês verão nos comentários da foto – por favor não me decepcionem) ainda assim me diriam como sou linda. e eu ficaria pensando que elxs falam só porque são amigxs. 

porque, na verdade, eu estaria olhando aquelas marcas de expressão que só aumentam. aquelas linhas na testa. pés de galinha. bigode chinês. bochecha de buldogue. ou seja lá qual nome mais se dá pra rugas. 

eu até tirei uma sem nada. mas resolvi deixar essa com filtro. porque afinal, tá tudo bem se eu fizer isso pra me sentir melhor né? cada um faz o que quer. tudo bem colocar botox, pintar o cabelo, silicone, cílios, plástica, horas de academia, depilação, lipoaspiração, levantamento de seios, micro pigmentação de sobrancelha (eu NUNCA mais na minha vida vou me submeter a tamanha dor), preenchimento de qualquer coisa, etc., etc., etc.

ah, mas se é pra melhorar a autoestima né? se vai te fazer bem, ok. faz. se você não gosta e pode mudar, muda. você está fazendo isso pra você né, pra você se sentir melhor.

bom, acontece que quem sabe nada dessas coisas seja pra gente se sentir melhor, de verdade.

provavelmente seja uma daquelas máscaras de que tanto falam. sabe? usamos o bom e velho “quero me sentir melhor comigo mesma” mas na verdade é “me acho feia assim e quero ser desejada”. cobiçada. quero ser MAIS bonita (que quem?). quero ser como inventaram que eu deveria ser. quem sabe seja a forma de competição que mulheres foram criadas. quem sabe seja a gente lutando contra o tempo (contra nós mesmas). quem sabe seja a gente tentando se encaixar em um mundo comandado por homens. quem sabe seja a gente tentando desviar a atenção daquilo que precisamos cuidar. quem sabe seja só a lina em mais uma de suas filosofias (baratas) de boteco.

mas, às vezes, e não são raras essas vezes, confundimos toda essa estética, com autocuidado.

eu faço exercícios 5 dias por semana. em casa né. esses de academia. e meu corpo começou a cansar. e eu não dei bola, como na grande maioria das vezes. já travei as costas por causa disso. dessa vez fiquei mal. doía tudo (mesmo). e não era corona.

era só eu teimando com meu próprio corpo. até que um dia me peguei pensando: por que eu faço isso mesmo? PRA QUEM? se fosse pra mim, pra eu me sentir melhor, eu acordaria todos os dias e me perguntaria: lina, maravilhosa, diva da própria vida, o que vamos fazer hoje para movimentarmos esse esqueleto? e aí, eu, meu corpo, minha mente, a deusa e o deus que habitam em mim e todas as energias, diriam: hoje vamos fazer uma yoga. hoje vamos só dançar na sala. hoje vamos correr. hoje vamos fazer glúteos. hoje vamos virar cambalhotas. hoje vamos fortalecer o joelho. e seria assim, um dia de cada vez. mas aí vem aquela vozinha que diz que eu preciso manter meu corpo em forma, no pain no gain (sério, tem frase mais engraçada que essa?), precisa superar a dor, brrrrrrrrr (AHAHAHA).

e aí minha gente, podemos entrar em MILHÕES de outras hipóteses. do que é importante ou não. do que fazemos para nos sentirmos melhor mesmo. do que é autocuidado de fato. etc. mas vamos ficar no básico:

muito provavelmente, nada dos procedimentos estéticos que a gente faça ou das horas de sofrimento, sejam para nos sentirmos melhor com nós mesmas. e sim, talvez, com os padrões do mundo.

óbvio que ninguém aqui vai deixar de fazer essas coisas. e esse não é o objetivo. trago aqui, apenas uma reflexão.

eu acho que estamos destinadas. passaremos a vida inteira insatisfeitas com absolutamente QUALQUER coisa no nosso físico (entre outras milhões de coisas que não nos achamos suficientes). sem prestar atenção naquilo que realmente vai fazer a gente se sentir melhor com nós mesmas: o espírito. a mente. e o coração, principalmente. aquilo que a gente não vê. quem sabe seja isso que vai trazer o melhor, pra gente.

bom, de qualquer forma, não deixem de fazer exercícios físicos. 

eu queria mesmo pedir desculpas para as minhas marcas de expressão (que ainda não são rugas, que fique bem claro). vou aprender a amar cada uma do jeito que merecem. 

vou dizer todos os dias: sabe, ainda bem que vocês estão aparecendo. é sinal, de que a vida tá acontecendo.

recomendo prestar mais atenção naquilo que não é tão óbvio assim. seu corpo vai saber responder. seu coração vai saber conduzir. sua mente vai saber dar as mãos.

minha próxima busca por aprovação social (hehe), será sem filtro. não disse sem maquiagem. e quem sabe um botoxzinho básico né.

#paz